Por um céu instagramável

Eu sou aquela fresta de céu azul que aparece por trás da nuvem cinza que é você.
Insistindo em brilhar mesmo quando você vem carregado de chuva tentando esconder minha luminosidade e tapar o meu sol.

Você é aquela nuvem egoísta que deixa tudo escuro antes da hora. Faz parecer que o dia não amanheceu ou faz a tarde parecer noite antes mesmo da hora de escurecer.

Por isso estou enviando minha luz, aquela forte do meio dia, para clarear tudo enquanto espero suas nuvens serem empurradas para outras bandas. Quero uma nuvem limpa que deixa o meu céu ainda mais bonito. Do tipo que faz as pessoas terem vontade de tirar foto e postar no instagram.

Isso mesmo.
Decidi que na minha vida só entram pessoas que deixam meu céu instagramável.

Vocês vão ter que me engolir

Houve um tempo em que eu jurava que nunca seria capaz de viver sozinha. E tinha muita gente que também desacreditava.

Da lista de coisas que eu também me julgava incapaz estão: dormir sozinha, cozinhar bem, pedir comida pelo telefone, ir ao médico sem a mãe, me comunicar com estranhos, superar timidez, ser 100% independente.

Mas eu vinha de uma crescente de aprendizados e absorção de mundo desde 2014 e esse ano tudo explodiu. Posso dizer que 2016 foi o ano das surpresas. Para o espanto geral eu superei com sucesso todos os itens citados aqui em cima.

Peguei todo o autoconhecimento adquirido nos últimos dois anos, liguei o modo Zagallo e mandei um “vocês vão ter que me engolir”. Abracei minha própria personalidade e joguei na cara das pessoas, juntei os pequenos pedaços de repressão que guardava e coloquei na salinha do lixo e fui, simplesmente, pasmem, eu mesma.

Dentro de mim sempre tive a menina fofinha e a mulher intensa, você conhecia uma ou a outra ou as duas, dependendo do nível de intimidade. O que fiz durante o ano foi apenas aprender a equilibrar as duas com mais segurança. Coisa de geminiana, lidar com essa certa dualidade. Aceitação, descoberta, força, florescimento e empoderamento foram minhas palavras desse ano.

Tanta coisa aconteceu, muita coisa boa e ruim, mas de longe a mais forte de todas foi aproveitar a chance de ser do jeito que eu bem entender.

2016 foi o ano de me sentir ainda mais Dandara. Termino dezembro repetindo o meu vim pra ficar, agora mais verdadeiro do que nunca.

Pelos chãos de vidro que passei

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Tenho um último dedinho segurando a beira do buraco que abriu aos meus pés.

Passei dias, meses, anos pensando duas vezes antes de dar cada passo com medo de ouvir aquele som familiar de vidro sendo quebrado. Um passo em falso e pronto, mergulho para o fundo do poço da perda de controle. É alucinante. Desesperador. Aterrorizante.

No fim do mergulho encontro outro chão de vidro, que trinca com o baque do meu corpo caindo desajeitado.

Mais uma vez o ciclo se repete, mas dessa consegui me agarrar na beirada e quero descer sozinha. Cansei de desabar. Decidi conhecer meus passos e pisar só onde quero. O chão quebrava e eu, de medo, não tinha tempo de olhar ao redor. Se antes eu soubesse que poderia descer aos poucos, no meu tempo, degrau por degrau, já sabendo o que iria encontrar no andar de baixo.

Mas de cada chão de vidro que desabei, descobri que sou forte o suficiente para me levantar e que sou suficiente para escolher por onde quero andar.

Depois de anos em chão de vidro, hoje solto da beirada e escolho pegar as escadas.

*Imagem: ohgigue

4 motivos para se apaixonar pelos cachos

Há pouco mais ano e meio, eu parei de alisar os cabelos e estou no processo de libertação dos cachos. Agora em junho fez um ano que eu contei sobre assumir meu cabelo natural aqui no blog, lembra? E sim, ainda estou em transição entre o liso e o enrolado. Esta experiência é um misto de momento “mais terrível da vida” com “busca por mais autoconfiança”.

Eu cometi vários erros nesse tempo e ainda problematizo MUITO o meu cabelo. Estou sempre achando um novo defeito nos cachinhos e um novo motivo para fazer escova. Por isso, resolvi listar algumas razões para amar mais meu cabelo cacheado, como incentivo para eu mesma, hehe, e, quem sabe, empoderar outras pessoas que também estão passando por esse período de trevas.

  1. Descobrir minha própria identidade

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SIM! Quando comecei a transição, eu achava que isso era a maior baboseira dos blogs de cacheadas. Afinal, eu tinha minha identidade quando era alisada, não é mesmo? Mas é verdade, gente. Trazer meus cachos de volta me ensinou muito sobre mim. Na fase de transição entre o liso e o enrolado o autoconhecimento é intenso, você precisa aprender a se amar pelo que é e tentar se libertar, o tempo todo, dos padrões de beleza impostos. Cachos = liberdade. Sim, senhor!

Passar pela transição é mudar de vida. Juro.

  1. Versatilidade

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Hoje estou escovada, amanhã de cachos com volume e no dia seguinte com cachos bem definidos. Fora todos os lenços, presilhas e tiaras que NUNCA fizeram parte da minha vida quando alisada. Tudo pega, tudo funciona e tudo vai bem quando seu cabelo é cacheado. Praia, chuva, piscina e banheira nunca mais vão ser preocupação ou empecilho.

  1. Sororidade

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Pessoas vão dizer: “seu cabelo em transição está horrível, jamais vai voltar a ser bonito como antes”. Ou “você é louca, eu jamais conseguiria passar por isso”. Ou “cabelo cacheado é bonito, MAS não para mim”. Ou “cabelo cacheado dá tanto trabalho, né?”. Quando estiver precisando de apoio de verdade, segura nas mãos das amigas cacheadas e vai! Grupos do Facebook como Cacheadas em Transição ou Amigas Onduladas (são os que eu acompanho) e os blogs e canais das cacheadas estão sempre prontos para responder um desabafo, dúvida, dar dicas e compartilhar cuidados com os cachos. As cacheadas são muito unidas e sempre ajudam umas as outras.

Ter vontade de abraçar uma amiga cacheada no metrô quando percebe que ela também está em transição e falar: miga, eu entendo sua dor. Quem nunca?

  1. Conhecer o seu cabelo

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Quando passamos pela transição finalmente descobrimos como é o nosso cabelo e entendemos o que ele gosta/precisa. Hidratação para mim era um PARTO quando alisava, eu odiava ficar 30 minutos com produto no cabelo. Hoje até durmo a noite toda com óleo de coco nos cachos. A transição capilar também é aprender a amar o seu cabelo e ter vontade de cuidar dele com muito carinho.

Viu? Depois de escrever esse texto vou ali tacar água nessa escova e abraçar os meus cachos. Mentira, ainda preciso de mais incentivo, amigas cacheadas mandem orações e energia positivas, sim? o/

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