Vocês vão ter que me engolir

Houve um tempo em que eu jurava que nunca seria capaz de viver sozinha. E tinha muita gente que também desacreditava.

Da lista de coisas que eu também me julgava incapaz estão: dormir sozinha, cozinhar bem, pedir comida pelo telefone, ir ao médico sem a mãe, me comunicar com estranhos, superar timidez, ser 100% independente.

Mas eu vinha de uma crescente de aprendizados e absorção de mundo desde 2014 e esse ano tudo explodiu. Posso dizer que 2016 foi o ano das surpresas. Para o espanto geral eu superei com sucesso todos os itens citados aqui em cima.

Peguei todo o autoconhecimento adquirido nos últimos dois anos, liguei o modo Zagallo e mandei um “vocês vão ter que me engolir”. Abracei minha própria personalidade e joguei na cara das pessoas, juntei os pequenos pedaços de repressão que guardava e coloquei na salinha do lixo e fui, simplesmente, pasmem, eu mesma.

Dentro de mim sempre tive a menina fofinha e a mulher intensa, você conhecia uma ou a outra ou as duas, dependendo do nível de intimidade. O que fiz durante o ano foi apenas aprender a equilibrar as duas com mais segurança. Coisa de geminiana, lidar com essa certa dualidade. Aceitação, descoberta, força, florescimento e empoderamento foram minhas palavras desse ano.

Tanta coisa aconteceu, muita coisa boa e ruim, mas de longe a mais forte de todas foi aproveitar a chance de ser do jeito que eu bem entender.

2016 foi o ano de me sentir ainda mais Dandara. Termino dezembro repetindo o meu vim pra ficar, agora mais verdadeiro do que nunca.